sábado, 26 de março de 2016

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Comentários de E.G.W

O Evangelho de Mateus


Lição 1 – Filho de Davi

26 de março a 2 de abril

Sábado à tarde

Ano Bíblico: 1Sm 11–13

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VERSO PARA MEMORIZAR:

“Ele salvará o Seu povo dos pecados deles” (Mt 1:21).

Leituras da Semana:


Introdução

O Evangelho de Mateus

Rick Hoyt foi estrangulado pelo cordão umbilical no momento do parto, o que deixou seu cérebro danificado e incapaz de controlar os membros. Os médicos disseram à família que Rick viveria em estado vegetativo pelo resto da vida e deveria ser colocado numa instituição.
Os “Hoyt não ficaram convencidos disso”, escreveu Rick Reilly num perfil dos Hoyt para a revista Sports Illustrated (20 de junho de 2005). “Eles notavam que os olhos de Rick os seguiam pelo cômodo. Aos 11 anos, eles o levaram ao departamento de engenharia da Universidade Tufts e perguntaram se havia alguma coisa para ajudar o menino a se comunicar.
“De maneira alguma”, disseram a Dick Hoyt. “Não se passa nada no cérebro dele”.
“‘Contem uma piada para ele’, Dick respondeu. Eles o fizeram. Rick riu. Muita coisa estava se passando no cérebro dele.”
Ligado a “um computador que lhe permitia controlar o cursor ao tocar um interruptor com a lateral da cabeça, Rick finalmente conseguiu se comunicar” com os outros. Era o começo de uma nova vida. Surgiu a oportunidade de participar de uma maratona com fins caritativos. Seu pai o empurrou numa cadeira de rodas. Após a corrida, Rick digitou: “Papai, me senti como se não fosse mais deficiente!”
Dick decidiu dar a Rick essa sensação outras vezes. Eles correram a Maratona de Boston. Alguém sugeriu um triatlo. Os dois já participaram de centenas de eventos atléticos, com o pai puxando-o ou empurrando-o.
“Não há dúvida”, Rick digitou. “Meu pai é o pai do século”.
O Pai celestial nos ama mais do que Dick Hoyt ama seu filho. Ele enviou Seu Filho para nos puxar da morte para a vida.
Neste trimestre, estudaremos o evangelho de Mateus, que se concentrou muito no fato de que Jesus é o Messias prometido. Embora seu público fosse primariamente judeu, sua mensagem de esperança fala também a nós, que, como Rick Hoyt, precisamos de Alguém que faça por nós o que não podemos fazer por nós mesmos.
Andy Nash, PhD, é professor e pastor na Southern Adventist University, em Collegedale, Tennessee. É autor de vários livros, incluindo The Haystacks Church and the Book of Matthew: “Save us Now, Son of David” [A igreja dos “montes de feno”* e o livro de Mateus: “Salva-nos agora, Filho de Davi”].
Sábado à tarde
Inspirado pelo Espírito Santo, Mateus iniciou seu livro com uma genealogia. Porém, não foi uma genealogia qualquer, mas a de Jesus Cristo. Além de começar seu evangelho com uma genealogia, Mateus apresentou nela alguns ancestrais que a maioria das pessoas certamente não gostaria de reivindicar como parte de sua linhagem.
Talvez Mateus tivesse sentido empatia por esses ancestrais pelo fato de ele mesmo ter sido, em certo grau, marginalizado. Afinal de contas, ele era um judeu coletor de impostos; havia se vendido ao inimigo e, na verdade, pagava a Roma pela oportunidade de sentar-se na coletoria e cobrar impostos de seu povo. Certamente, ele não era amado por sua nação.
Porém, ainda que os seres humanos olhem para a aparência exterior, Deus olha para o coração. Embora Mateus fosse um desprezado, o Senhor olhou para o coração dele e o escolheu para ser discípulo. Mateus aceitou o chamado, renunciando à vida que tinha antes, em troca de uma nova vida em Jesus.
Assim, Mateus passou a seguir seu Senhor, preservou um registro dos acontecimentos, e um dia daria algo valioso ao seu povo e ao mundo: sua dádiva não seria um recibo de impostos, mas um precioso relato da vida de Jesus.
Comentários de Ellen G. White
Jesus morreu para salvar Seu povo dos pecados dele, e redenção em Cristo significa cessar a transgressão da lei de Deus e estar livre de todo pecado. Nenhum coração que é incitado pela inimizade contra a lei de Deus está em harmonia com Cristo, o qual sofreu no Calvário para vindicar e exaltar a lei diante do Universo…
Conquanto tenhamos de estar em harmonia com a lei de Deus, não somos salvos pelas obras da lei. Contudo, não podemos ser salvos sem obediência. A lei é a norma pela qual é avaliado o caráter. Mas não podemos absolutamente guardar os mandamentos de Deus sem a graça regeneradora de Cristo. Só Jesus pode purificar-nos de todo pecado. Ele não nos salva pela lei, nem nos salvará na desobediência à lei.
Nosso amor a Cristo será proporcional à profundeza de nossa convicção do pecado. No entanto, ao vermos a nós mesmos, desviemos o olhar para Jesus, que a Si mesmo Se deu por nós para que pudesse remir-nos de toda iniquidade. Pela fé apoderemo-nos dos méritos de Cristo, e será aplicado o sangue que purifica a alma (Fé e Obras, p. 95, 96).
Quando Mateus ouviu o chamado do Salvador, levantou-se imediatamente, deixou tudo e O seguiu. Deus quer que aceitemos a Palavra divina logo que venha ao nosso coração, e é justo que a recebamos com alegria. Haverá “alegria no Céu por um pecador que se arrepende” (Lc 15:7), e há alegria na alma que crê em Cristo (Parábolas de Jesus, p. 46).
Em sua gratidão e humildade, Mateus desejou mostrar seu apreço pela honra que lhe fora concedida; e, convocando os que haviam sido seus companheiros nos negócios, nos prazeres e no pecado, fez um grande banquete em honra do Salvador. Se Jesus o chamou, que era tão pecador e indigno, por certo aceitaria também seus antigos associados, que, pensava Mateus, eram muito mais merecedores do que ele. Mateus tinha grande desejo de que eles participassem dos benefícios das misericórdias e da graça de Cristo. Desejava que soubessem que Cristo não… desprezava nem odiava os publicanos e pecadores. Queria que conhecessem a Cristo como o bendito Salvador. …
Os fariseus viram Cristo assentado e comendo com os publicanos e pecadores. … Aqueles homens, cheios de justiça própria, que não sentiam necessidade de auxílio, não sabiam apreciar a obra de Cristo. Colocavam-se em lugar onde não podiam aceitar a salvação que Ele viera trazer. Não vinham ter com Ele, para que tivessem vida. Os pobres publicanos e pecadores sentiam sua necessidade de auxílio, e aceitavam as instruções e ajuda que, sabiam eles, Cristo era bem capaz de lhes dar.
Ao próprio Mateus, o exemplo de Jesus na festa foi uma lição constante. O desprezado publicano, tornou-se um dos mais devotados evangelistas, seguindo, em seu ministério, bem de perto, os passos do Mestre (Vidas Que Falam [MM 1971], p. 284).


Domingo, 27 de março
Ano Bíblico: 1Sm 14–16

Um livro das origens

“Livro da genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi” (Mt 1:1). Desde o começo, Mateus chama sua obra um “livro” (da palavra grega biblos, que pode significar um “escrito sagrado”), um “livro da genealogia”, ou seja, dos ascendentes de Jesus. Na verdade, a palavra grega traduzida como “genealogia” vem de um termo que pode ser traduzido como “origens”. Portanto, pode-se dizer que Mateus iniciou seu evangelho com uma espécie de “livro de Gênesis”. Assim como o Antigo Testamento começou com um livro sobre a criação do mundo, Mateus (e, portanto, o Novo Testamento) começa com um livro sobre o próprio Criador e sobre a obra de redenção que somente Ele poderia efetuar.
1. O que estas passagens dizem sobre Jesus? Jo 1:1-3Hb 1:1-3Mq 5:2Mc 12:35-37
(1:1-3)  1No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2Ele estava no princípio com Deus. 3Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.
(1:1-3)  1Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. 3Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,
(12:35-37)  Jesus, ensinando no templo, perguntou: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi falou, pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O mesmo Davi chama-lhe Senhor; como, pois, é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.
(5:2) E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

R. 1. Ele é Deus eterno; criou todas as coisas, veio ao mundo e tornou-Se homem para salvar os pecadores. Está assentado à direita de Deus. Nasceu em Belém, sendo ao mesmo tempo filho e Senhor de Davi.

“Desde os dias da eternidade o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era ‘a imagem de Deus’, a imagem de Sua grandeza e majestade, ‘o resplendor de Sua glória’. […] Vindo habitar conosco, Jesus devia revelar Deus tanto aos homens como aos anjos. Ele era a Palavra de Deus: o pensamento de Deus tornado audível” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19).
A divindade de Cristo, contudo, não era o mais importante na mente de Mateus, em contraste com João (ver Jo 1:1-3), que começou escrevendo sobre a divindade de Cristo antes de passar para o aspecto humano dEle (Jo 1:14). Em vez disso, Mateus se concentrou muito na humanidade de Cristo, ou seja, o Messias como “filho de Davi, filho de Abraão”. Então passou a traçar, a partir de Abraão, a linhagem dos ancestrais humanos de Jesus até Seu nascimento, no desejo de mostrar a seus leitores que, de fato, Jesus de Nazaré era o Messias predito nas profecias do Antigo Testamento.
Família e ascendência são importantes. Ao mesmo tempo, no que diz respeito ao evangelho, nossos pais, avós, ou ascendentes são irrelevantes. O que está acima de tudo isso e por quê? VerGálatas 3:29.
(3:29) E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.
Comentários de Ellen G. White
Foi a natureza humana do Filho de Maria transformada na natureza divina do Filho de Deus? Não. As duas naturezas fundiram-se misteriosamente numa só pessoa: o homem Cristo Jesus. NEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Quando Cristo foi crucificado, foi Sua natureza humana que morreu. A Divindade não sucumbiu nem morreu; isso teria sido impossível. Cristo, Aquele que é sem pecado, salvará todos os filhos e filhas de Adão que aceitarem a salvação que lhes é oferecida, consentindo em se tornarem filhos de Deus. O Salvador adquiriu com Seu próprio sangue a raça caída.
Isso é um grande mistério, um mistério que não será plena e completamente compreendido em toda a sua grandeza até que ocorra a trasladação dos remidos. Então serão compreendidos o poder, e a grandeza e a eficácia da dádiva de Deus ao homem (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, p. 1113).
Depois que Cristo condescendeu em deixar Seu excelso domínio, descer de uma altura infinita e assumir a forma humana, poderia haver adotado qualquer condição da humanidade que preferisse; mas grandeza e posição nada eram para Ele, e escolheu o modo de vida mais baixo e humilde. Belém foi o lugar de Seu nascimento; e, de um lado, Sua linhagem era pobre, mas Seu Pai era Deus, o possuidor do mundo. Nenhum vestígio de luxo, comodidade, satisfação ou condescendência egoísta foi introduzido em Sua vida, a qual era uma constante rotina de abnegação e sacrifício pessoal. Em conformidade com Seu nascimento humilde, Ele não teve, evidentemente, grandezas nem riquezas, para que o cristão mais humilde não dissesse que Cristo jamais experimentou a tensão de angustiante pobreza. Se Ele possuísse o aspecto de alarde exterior, de riquezas, de magnificência, a classe mais pobre da humanidade teria evitado Sua companhia. Ele escolheu, portanto, a condição inferior da grande maioria das pessoas. A verdade de origem celeste seria Seu assunto; competia-Lhe semear a verdade na Terra; e veio de tal maneira que fosse acessível a todos, para que unicamente a verdade causasse uma impressão sobre os corações humanos (Fundamentos da Educação Cristã, p. 481).
O povo de Deus é Seu representante na Terra, e é Seu desígnio que ele seja luz nas trevas morais deste mundo. Espalhado por todo o país, nas cidades, vilas e aldeias, [Seus fiéis] são as testemunhas de Deus, os condutos pelos quais Ele comunicará a este mundo incrédulo o conhecimento de Sua vontade e as maravilhas de Sua graça. É Seu plano que todos os que são participantes da grande salvação, sejam para Ele missionários. A piedade dos cristãos constitui a norma pela qual os mundanos julgam o evangelho. Provações pacientemente suportadas, bênçãos recebidas com agradecimento, mansidão, bondade, misericórdia, e amor, manifestados habitualmente, são as luzes que resplandecem no caráter perante o mundo (A Maravilhosa Graça de Deus [MM 1974], p. 56).

Segunda, 28 de março
Ano Bíblico: 1Sm 17–19

Uma linhagem real

Quaisquer que fossem os diversos conceitos dos judeus a respeito da vinda do Messias, uma coisa era certa: o Cristo seria da linhagem de Davi. (Até hoje, muitos judeus religiosos que aguardam o Messias acreditam que Ele deve vir da casa de Davi.) Foi por isso que Mateus começou seu evangelho com a linhagem de Cristo; ele desejava estabelecer Sua identidade como o Messias. Devido ao fato de que o Cristo devia ser descendente de Abraão (Gn 22:18Gl 3:16), o pai da nação judaica, e da linhagem de Davi, Mateus logo no início procurou mostrar a linhagem de Jesus e como Ele estava diretamente ligado não só a Abraão (como a maioria dos israelitas estava), mas ao rei Davi. Muitos comentaristas acreditam que Mateus tinha em mente, primariamente, um público judeu; daí sua forte ênfase em estabelecer as credenciais messiânicas de Jesus de Nazaré.
2. Leia os textos seguintes. Como eles nos ajudam a compreender a ideia que Mateus procurou transmitir?2Sm 7:16, 17Is 9:6, 7Is 11:1, 2Atos 2:29, 30
(7:16) Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
(7:17) Segundo todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.
(9:6) Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;
(9:7) para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.
(11:1) Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo.
(11:2) Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.
(2:29) Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.
(2:30) Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono,

R. 2. A) 2Sm 7:16, 17: Em Cristo, o reino de Davi seria eterno. B) Is 9:6, 7: O menino Jesus seria o Rei eterno sobre o trono de Davi. C) Is 11:1, 2: Jesus, filho de Davi, seria cheio do Espírito do Senhor. D) At 2:29, 30: O reinado de Davi simbolizou o reinado de Cristo.

Tudo isso nos ajuda a entender a forma pela qual Mateus iniciou seu evangelho: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi” (Mt 1:1). No início do Novo Testamento, Jesus Cristo é descrito como “Filho de Davi”. Perto do final do Novo Testamento, o próprio Jesus disse as seguintes palavras: “Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã” (Ap 22:16). Além de tudo o mais que Jesus é, Ele continua sendo “a Raiz e a geração de Davi”.
Que poderoso testemunho da natureza humana de Jesus e de Sua humanidade essencial! Nosso Criador Se ligou a nós de um modo que mal conseguimos imaginar.
Comentários de Ellen G. White
Não podemos compreender como Cristo Se tornou um pequeno e indefeso bebê. Ele poderia ter vindo à Terra com tal beleza que teria sido diferente dos filhos dos homens. Sua face poderia ter sido resplandecente de luz, e Sua forma poderia ter sido alta e bela. Poderia ter vindo de tal maneira que encantasse os que olhassem para Ele. Porém, essa não era a maneira planejada por Deus para que Ele viesse entre os filhos dos homens.
Ele devia ser semelhante aos que pertencem à família humana e à raça judaica. Suas feições deviam ser como as dos outros seres humanos, e não devia ter tal beleza pessoal que o povo O assinalasse como diferente dos outros. Devia vir como alguém da família humana e colocar-Se como homem perante o Céu e a Terra. Veio para tomar o lugar do homem, empenhar-Se em seu favor, pagar o débito que os pecadores deviam. Levaria uma vida pura sobre a Terra e mostraria que Satanás havia proferido uma falsidade quando alegou que a família humana lhe pertencia para sempre, e que Deus não poderia arrebatar de suas mãos os seres humanos.
Os homens contemplaram pela primeira vez o Cristo como um bebê, como uma criancinha. …
Quanto mais pensamos sobre o ato de Cristo em Se tornar um bebê aqui na Terra, tanto mais admirável isso nos parece. Como pôde suceder que a indefesa criancinha na manjedoura de Belém ainda fosse o divino Filho de Deus? Conquanto não possamos compreendê-lo, podemos crer que Aquele que criou os mundos por nossa causa Se tornou um indefeso bebê. Embora fosse mais elevado do que qualquer dos anjos, embora fosse tão grande como o Pai sobre o trono do Céu, Ele Se tornou um conosco. NEle Deus e o homem passaram a ser um, e é nesse fato que encontramos a esperança de nossa raça decaída. Olhando para Cristo em carne, olhamos para Deus na humanidade, e vemos nEle o resplendor da glória divina, a expressa imagem de Deus, o Pai (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 127, 128).
Cristo era sem mácula de pecado, mas, tendo assumido a natureza humana, tornou-Se exposto aos mais ferozes assaltos do inimigo, às suas mais incisivas tentações, à mais aflitiva das tristezas. Sofreu a tentação. Foi feito semelhante a Seus irmãos, para que pudesse mostrar que, pela graça concedida, a humanidade poderia vencer as tentações do inimigo. … Ouçam Suas palavras: “Eis aqui venho; no rolo do Livro está escrito de Mim: Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração” (Sl 40:7, 8). Quem é que assim anuncia Seu propósito de vir à Terra? Isaías no-lo diz: “Um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; e o principado está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:6; Nos Lugares Celestiais [MM 1968], p. 41).


Terça, 29 de março
Ano Bíblico: 1Sm 20–23

A árvore genealógica de Jesus

3. Além de Davi, quem mais encontramos na árvore genealógica de Jesus? Mt 1:2, 3
(1:2) Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos;
(1:3) Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão;

R. 3. Abraão, Isaque, Jacó e seus descendentes.

Não era comum sequer mencionar mulheres em genealogias. Então, por que uma mulher chamada Tamar seria colocada nessa lista? Para começar, quem era ela?
Tamar era uma mulher cananeia que havia se casado, em sequência, com dois filhos de Judá. Os dois haviam morrido na prática de coisas perversas, enquanto Tamar continuava sem filhos. Seu sogro, Judá, prometeu a Tamar que lhe daria seu terceiro filho em casamento quando ele tivesse idade suficiente. Mas isso não aconteceu.
Então, o que Tamar fez? Disfarçou-se de prostituta e teve relações com o próprio Judá, embora ele não fizesse a menor ideia de que aquela mulher era Tamar. Meses depois, quando a gravidez de Tamar ficou evidente, Judá procurou tomar medidas para que ela, pela conduta imoral, fosse morta; mas a atitude dele mudou quando ela lhe revelou que ele era o pai do bebê.
Embora isso possa ter semelhança com uma novela vulgar, faz parte da ascendência humana de Jesus.
4. Leia Mateus 1:4, 5. Quem mais é mencionada na lista de Mateus? Por que isso é um tanto surpreendente?
(1:4) Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; (1:5) Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé;
R. 4. Foi surpreendente porque Raabe havia sido prostituta e Rute era estrangeira.

Raabe seria a prostituta cananeia mencionada no livro de Josué? Parece que sim. Depois de ajudar a proteger os espias israelitas em Canaã, ela se uniu ao povo de Deus e, ao que parece, casou-se com um dos ancestrais de Jesus.
5. Quem mais está na linhagem de Cristo? Mt 1:5, 6
(1:5) Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; (1:6) Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias;
R. 5. Bate-Seba, a mulher de Urias, que havia adulterado com Davi.

Rute, uma mulher virtuosa, não tinha culpa pelo fato de proceder dos odiados moabitas (produto de uma relação incestuosa de Ló, que estava embriagado, com uma de suas filhas). A esposa de Urias, Bate-Seba, foi a mulher que o rei Davi egoisticamente mandou buscar enquanto o marido dela estava em batalha. O rei também era um pecador que precisava de um Salvador. Davi teve muitas qualidades destacadas, mas certamente não foi um modelo como pai de família.
Se Deus nos aceita apesar de nossas faltas e falhas, como podemos aprender a fazer o mesmo com os outros, apesar das faltas e falhas deles?

Comentários de Ellen G. White
O povo de Israel deveria ocupar todo o território que Deus lhe havia designado. As nações que rejeitassem o culto ou o serviço do verdadeiro Deus deveriam ser desapossadas. Porém, era propósito de Deus que, pela revelação de Seu caráter por meio de Israel, os homens fossem atraídos a Ele. O convite do evangelho deveria ser transmitido a todo o mundo. Pela lição do sacrifício simbólico, Cristo deveria ser exaltado perante as nações, e todos os que O olhassem viveriam. Todos os que, como Raabe, a cananeia, e Rute, a moabita, se volvessem da idolatria ao culto do verdadeiro Deus, deveriam se unir ao povo escolhido. Quando o número de Israel aumentasse, deveriam ampliar os limites até que seu reino abarcasse o mundo (Parábolas de Jesus, p. 290).
Pela fé “Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos” (Hb 11:31). E sua conversão não foi um caso isolado da misericórdia de Deus para com os idólatras que reconheceram Sua divina autoridade. No meio da terra um povo numeroso – os gibeonitas – renunciou seu paganismo, unindo-se com Israel e compartilhando as bênçãos do concerto.
Em matéria de nacionalidade ou classe social, nenhuma distinção é reconhecida por Deus. Ele é o Criador de toda a humanidade (Profetas e Reis, 369, 370).
Enquanto deixarmos predominar na lembrança os atos desagradáveis e injustos dos outros, parecerá impossível amá-los como Cristo nos ama. Se, porém, nossos pensamentos se fixam no extraordinário amor e piedade de Cristo para conosco, esse mesmo espírito irradiará de nós para nossos semelhantes. Cumpre-nos amar e respeitar uns aos outros, não obstante as faltas e imperfeições que não podemos, malgrado nosso, deixar de notar neles. Necessitamos cultivar a humildade e a desconfiança de nós mesmos, bem como paciente benevolência para com as faltas do próximo. Isso destruirá em nós todo o egoísmo mesquinho, tornando-nos magnânimos e generosos (Caminho a Cristo, p. 121).
Cultivem o hábito de falar bem do próximo. Detenham-se sobre as boas qualidades daqueles com quem vocês estão associados, e olhem o menos possível para seus erros e fraquezas.
Quando são tentados a se queixar do que alguém disse ou fez, apreciem alguma coisa na vida ou caráter dessa pessoa. Cultivem a gratidão. Louvem a Deus pelo Seu admirável amor em dar Cristo para morrer por nós. Nada lucramos em pensar em nossas mágoas. Deus nos convida a meditar na Sua misericórdia e no Seu amor incomparável, a fim de que sejamos inspirados com o louvor.
Os trabalhadores ativos não têm tempo de se ocupar com as faltas do próximo. As faltas e fraquezas dos outros não fornecem alimento para nossa vida. A maledicência é uma dupla maldição, que recai mais pesadamente sobre quem fala do que sobre quem ouve. Quem espalha as sementes da dissensão e discórdia colhe em si mesmo os frutos mortais. O próprio ato de olhar para o mal nos outros desenvolve o mal em quem olha. Detendo-nos sobre as faltas do próximo, somos transformados na sua imagem. Mas contemplando Jesus, falando do Seu amor e da perfeição de Seu caráter, imprimimos em nós as Suas feições (A Ciência do Bom Viver, p. 492).


Quarta, 30 de março
Ano Bíblico: 1Sm 24–27

Sendo nós ainda pecadores

6. O que as passagens seguintes dizem sobre a natureza humana? Quais fortes evidências temos de que essas declarações são verdadeiras? Rm 3:9, 105:8Jo 2:25Jr 17:9
(3:9) Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; (3:10) como está escrito: Não há justo, nem um sequer, (5:8) Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (2:25) E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana. (17:9) Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?
R. 6. Ela é pecaminosa e injusta. Todo ser humano sente isso em sua própria vida e percebe isso na vida dos outros.

Como tem sido dito com frequência, mas vale a pena repetir, a Bíblia não pinta um quadro otimista do ser humano nem da natureza humana. Da queda no Éden (Gn 3) à queda de Babilônia, nos últimos dias (Ap 18), a triste condição da humanidade é facilmente revelada. Embora tenhamos a tendência de idealizar, por exemplo, os primeiros tempos da igreja, anteriores à grande “apostasia” (2Ts 2:3), isso é um erro (ver 1Co 5:1). Todos nós somos pessoas caídas, prejudicadas, e isso inclui a linhagem da qual o próprio Jesus veio.
O erudito Michael Wilkins escreveu: “A autenticidade e a improbabilidade dessa genealogia deve ter deixado atônitos os leitores de Mateus. Os ancestrais de Jesus eram seres humanos com todas as falhas, mas com todo o potencial das pessoas em geral. Deus atuou através deles para fazer acontecer Sua salvação. Não há um padrão de justiça na linhagem de Jesus. Encontramos adúlteros, prostitutas, heróis e gentios. O ímpio Roboão foi o pai do ímpio Abias, que foi o pai do bom rei Asa. Asa foi o pai do bom rei Josafá […], que foi o pai do ímpio rei Jeorão. Deus estava trabalhando ao longo das gerações, tanto boas quanto más, para realizar Seus propósitos. Mateus mostra que Deus pode usar qualquer pessoa, por mais marginalizada e desprezada que seja, para realizar Seus propósitos. Essas são o próprio tipo de pessoa que Jesus veio salvar” (Zondervan Illustrated Bible Backgrounds Commentary: Matthew [Comentário ilustrado Zondervan sobre o contexto histórico da Bíblia: Mateus]. Grand Rapids: Zondervan, 2002; p. 9).
Essa é a ideia da qual precisamos nos lembrar, não só quando olhamos para os outros, mas também quando olhamos para nós mesmos. Qual cristão, em algum ponto de sua caminhada, não fica desanimado, não questiona sua fé, não cogita se é ou não verdadeiramente convertido? Com muita frequência, também, o que produz esse desânimo é nossa natureza caída, nossos pecados e falhas. Assim, em meio ao desespero, podemos e devemos extrair esperança do fato de que Deus conhece todas essas coisas e que foi por pessoas exatamente como nós que Cristo veio a este mundo.
A quais promessas bíblicas você pode se apegar em momentos de desânimo e de desespero espirituais?

Comentários de Ellen G. White
Não foi porque nós O amássemos primeiro que Cristo nos amou; mas, “sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8), Ele morreu por nós. Não nos trata segundo os nossos merecimentos. Embora nossos pecados mereçam condenação, Ele não nos condena. Ano após ano, tem lidado com nossa fraqueza e ignorância, com nossa ingratidão e extravios. Apesar desses desvios, nossa dureza de coração, nossa negligência de Sua santa Palavra, Sua mão ainda se acha estendida para nós.
A graça é um atributo de Deus, exercido para com as indignas criaturas humanas. Não a buscamos, porém ela foi enviada a procurar-nos. Deus Se regozija de conceder-nos Sua graça, não porque sejamos dignos, mas porque somos tão completamente indignos. Nosso único direito à Sua misericórdia é nossa grande necessidade (Ibid., p. 161).
Nenhum homem pode de si mesmo entender seus erros. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17:9). Os lábios podem exprimir uma pobreza de espírito que o coração não reconhece. Ao passo que fala a Deus de pobreza de espírito, o coração pode exaltar-se com a presunção de sua humildade superior e elevada justiça. Só de um modo o verdadeiro conhecimento do próprio eu pode ser alcançado. Precisamos olhar a Cristo. O desconhecimento dEle é que dá aos homens uma tão alta ideia de sua própria justiça. Ao contemplarmos Sua pureza e excelência, veremos nossa fraqueza, pobreza e defeitos, como realmente são. Nós nos veremos perdidos e sem esperança, vestidos com o manto da justiça própria, como qualquer pecador. Veremos que, se afinal formos salvos, não será pela nossa própria bondade, mas pela graça infinita de Deus (Parábolas de Jesus, p. 159).
Venham a Jesus, e terão descanso e paz. Todos podem ter, agora mesmo, essa bênção. Satanás sugere que somos desamparados, que não podemos abençoar-nos a nós mesmos. É verdade; somos desamparados. Mas exaltemos Jesus diante dele: “Tenho um Salvador ressurgido. NEle confio, e Ele nunca permitirá que eu seja confundido. Em Seu nome triunfarei. Ele é minha justiça e minha coroa de glória.” Que ninguém aqui julgue que seu caso seja sem esperança; porque não é. Podemos ver que somos pecadores e estamos arruinados; mas é justamente por esse motivo que precisamos de um Salvador. Se temos pecados a confessar, não percamos tempo. Esses momentos são ouro. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1:9). Os que têm fome e sede de justiça serão fartos, pois Jesus o prometeu. Precioso Salvador! Seus braços estão abertos para receber-nos, e Seu grande coração de amor está à espera para nos abençoar (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 352).


Quinta, 31 de março
Ano Bíblico: 1Sm 28–31

O nascimento do divino Filho de Davi

Os dois primeiros capítulos de Mateus relatam o nascimento de Jesus numa noite fria e úmida. Provavelmente, não tenha sido em 25 de dezembro. Com base na escala de serviço do sacerdote Zacarias no templo, os eruditos sugerem que Jesus tenha nascido provavelmente no outono, quando as ovelhas ainda estavam nos campos, talvez no final de setembro ou em outubro.
É uma grande ironia que alguns dos primeiros a procurar e adorar o Messias judaico foram gentios. Enquanto a maioria do próprio povo de Jesus (e um meio-judeu paranoico, o rei Herodes) achava que sabia que tipo de Messias esperar, havia nesses viajantes vindos do Oriente a mente e o coração abertos. Os magos, ou sábios, eram respeitados filósofos da Pérsia que devotavam a vida a procurar a verdade, de onde quer que ela viesse. Não é de admirar, então, que estivessem adorando Aquele que era “a Verdade”. Embora o contexto seja diferente, vemos aqui um exemplo da veracidade das palavras faladas séculos antes: “Vocês Me procurarão e Me acharão quando Me procurarem de todo o coração” (Jr 29:13, NVI).
7. Leia Mateus 2:1-14. Que contraste é visto entre a atitude desses sábios e a do rei Herodes?
(2:1-14) 1Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. 2E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. 3Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer. 5Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel. 7Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. 8E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo. 9Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. 10E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 11Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. 12Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra. 13Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. 14Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito;
R. 7. Os magos adoraram Jesus, enquanto Herodes tentou matá-Lo.

Esses pagãos caíram de joelhos e adoraram Jesus, em contraste com o rei da nação, que, em vez disso, procurou matá-Lo.
Essa história deve servir como poderoso lembrete de que pertencer a uma igreja não é garantia de estar num relacionamento correto com Deus. Deve também ser um lembrete de que é muito importante uma correta compreensão da verdade. Se Herodes e os sacerdotes tivessem compreendido as profecias referentes ao Messias, ele saberia que Jesus não era o tipo de ameaça que devesse temer. Teria entendido que esse “Rei dos judeus” não era alguém com quem precisava se preocupar, pelo menos em termos de resguardar seu próprio poder político imediato.
Como adventistas do sétimo dia, abençoados com muita luz, como podemos nos proteger do engano de que essa luz significa que estamos automaticamente num relacionamento correto com Deus? Ao mesmo tempo, como a verdade pode nos ajudar a ter uma experiência mais profunda com Deus e a apreciar mais Seu caráter?

Comentários de Ellen G. White
A chegada dos magos foi prontamente divulgada por toda Jerusalém. Sua estranha mensagem criou entre o povo uma agitação que penetrou no palácio do rei Herodes. O astuto edomita foi despertado ante a notícia de um possível rival. Inúmeros assassínios lhe haviam manchado o caminho ao trono. Sendo de sangue estrangeiro, era odiado pelo povo sobre quem governava. Sua única segurança era o favor de Roma. Esse novo Príncipe, no entanto, tinha mais elevado título. Nascera para o reino…
Rugia-lhe no coração uma tempestade de ira e temor… (O Desejado de Todas as Nações, p. 61, 62).
Em Belém, [os magos] não encontraram nenhuma guarda real a proteger o recém-nascido Rei. Não havia a assisti-Lo nenhum dos grandes da Terra. Jesus estava deitado numa manjedoura. Os pais, iletrados camponeses, eram Seus únicos guardas. Poderia ser este Aquele de quem estava escrito que haveria de restaurar “as tribos de Jacó”, e tornar a “trazer os remanescentes de Israel”; que seria “luz para os gentios”, e “salvação… até à extremidade da Terra”? (Is 49:6).
“E, entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram” (Mt 2:11) Através da humilde aparência exterior de Jesus, reconheceram a presença da Divindade. Deram-Lhe o coração como a seu Salvador, apresentando então suas dádivas – “ouro, incenso e mirra”. Que fé a deles! (Ibid., p. 63).
Nesta geração, as igrejas professas de Cristo desfrutam dos mais altos privilégios. O Senhor Se tem revelado a nós numa luz sempre crescente. Nossos privilégios são muito maiores que os do antigo povo de Deus. Temos não somente a grande luz proporcionada a Israel, mas também a evidência crescente da grande salvação trazida a nós por Cristo. Aquilo que para os judeus era o tipo e símbolo, é para nós realidade. Eles tinham a história do Antigo Testamento; nós temos essa e a do Novo. Temos a certeza de um Salvador que veio, um Salvador que foi crucificado, ressurgiu, e, à borda do sepulcro de José, proclamou: “Sou a ressurreição e a vida” (Jo 11:25). Em nosso conhecimento de Cristo e de Seu amor, o reino de Deus está posto no meio de nós (Parábolas de Jesus, p. 317).
O grande pecado do povo de Deus no tempo presente consiste em não apreciar o valor das bênçãos que Deus nos tem outorgado. Servimos a Deus com o coração dividido. Acariciamos algum ídolo e o adoramos em seu relicário. A verdade de Deus é elevada e santa, santificando-nos, se for introduzida na vida e entretecida com o caráter. Deus está procurando nos tornar com Sua verdade um povo separado e peculiar. Essa é a influência da verdade. Nossa obediência e devoção não estão à altura de nossa luz e privilégios, e as sagradas obrigações que repousam sobre nós, de andarmos como filhos da luz, não são cumpridas por nós. Como cristãos, não correspondemos à nossa elevada vocação. Advertências e repreensões nos têm sido dadas por Deus, mas só têm tido influência sobre nós durante algum tempo, porque não consideramos ser a obra de nossa vida prosseguir para a frente e para o alto, em direção ao alvo, ao prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus (Este Dia Com Deus [MM 1980], p. 48).


Sexta, 1º de abril
Ano Bíblico: 2Sm 1–4

Estudo adicional

Examine esta citação de Ellen G. White: “É assim que todo pecador deve se aproximar de Cristo. ‘Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou’ (Tt 3:5, ARC). Quando Satanás diz que vocês são pecadores, e não podem esperar receber bênçãos de Deus, digam-lhe que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. Nada temos que nos recomende a Deus; mas o argumento em que podemos insistir, agora e sempre, é nossa condição de completo desamparo, o que torna uma necessidade Seu poder redentor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 317). Nossa obediência à lei, nossa vitória sobre o pecado e a tentação, nosso crescimento em Cristo, embora sejam parte da vida cristã, são resultado da salvação, e nunca sua causa. O ladrão que ficou ao lado de Jesus na cruz, os santos que serão trasladados na segunda vinda de Cristo, ou qualquer outra pessoa, estão numa “condição de completo desamparo”, que torna uma necessidade Seu poder redentor. Como é importante que nunca nos esqueçamos dessa verdade fundamental!
Perguntas para reflexão
1. Herodes tinha concepções muito erradas sobre a profecia, que o levaram a fazer algumas coisas terríveis. Pense em algumas compreensões falsas sobre a profecia em nossa época. Por exemplo, muitos creem que os cristãos fiéis serão levados de maneira silenciosa e secreta para o Céu, enquanto familiares e amigos serão “deixados para trás” sem entender por que essas pessoas desapareceram de repente. Quais são os perigos da falsa compreensão da profecia? O que dizer da ideia de que um dos acontecimentos finais da história da Terra será a reconstrução do templo de Jerusalém e o reinício dos sacrifícios de animais? Que outras concepções errôneas devem nos convencer de como é realmente importante entender corretamente a profecia?
2. Em muitas culturas e sociedades, os pais e sua classe social são fatores considerados importantes. Essa é uma tradição que parece ser encontrada ao longo de toda a História e está profundamente arraigada em muitos lugares. Por que essa ideia mundana é tão contrária a tudo o que o evangelho defende? Como a ideia de ser “nascido de novo” afeta nossa maneira de considerar a questão da classe ou estrutura social em que nós nascemos, ou em que outras pessoas nasceram?

Comentários de Ellen G. White
Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 313, 314.


Auxiliar para o professor

Resumo da Lição

TEXTO-CHAVE: Mateus 1:21, 23
O ALUNO DEVERÁ
    1. Saber: As razões que levaram Mateus a escrever seu evangelho.
    2. Sentir: Convicção a respeito da missão excepcional para a qual Jesus veio ao mundo.
    3. Fazer: Permanecer no poder salvador de Jesus.
ESBOÇO
  1. Saber: O propósito de Mateus ao escrever seu evangelho
    1. Quem foi Mateus? O que sabemos sobre ele e sua profissão?
    2. Para quem Mateus escreveu o Evangelho? Por quê?
    3. Como o Evangelho de Mateus se relaciona com os demais evangelhos?
    4. Quais são as características singulares do Evangelho de Mateus e o que elas nos ensinam?
  2. Sentir: A singularidade de Jesus no Evangelho de Mateus
    1. O que nos ensinam as diferenças nas genealogias apresentadas por Mateus e Lucas?
    2. Partindo da narrativa de Mateus 1, que evidências temos para crer que Deus está no controle da História e que ela marcha para o cumprimento dos Seus propósitos?
  3. Fazer: A influência do evangelho na vida e nos relacionamentos
    1. O que aprendemos com a genealogia de Mateus sobre a igualdade humana e os relacionamentos?
    2. Como os dois nomes da Palavra Encarnada (Jesus e Emanuel) influenciam nossa vida e experiência? Há apoio do Antigo Testamento para essa possibilidade?
RESUMO: O relato de Mateus acerca do nascimento de Jesus nos assegura que (1) Deus é conosco, (2) a salvação do pecado é nossa, e (3) pertencemos a uma linhagem real.

Ciclo do aprendizado

Motivação
Focalizando as Escrituras: Mateus 1:18-23
Conceito-chave para o crescimento espiritual: Quem é Jesus: Deus, Homem ou ambos? Ele foi um presunçoso e desiludido itinerante da Galileia ou é o melhor Mestre que o mundo conheceu? Ele é o mais brilhante especialista em ética e filósofo de todos os tempos? Jesus é um mártir por excelência, condenado à morte por uma multidão invejosa e sedenta de poder? O Senhor ressuscitado? A maneira de percebermos e nos relacionarmos com a identidade de Jesus influencia nossa vida e nosso crescimento espiritual, agora e na eternidade.
Para o professor: Como vemos em João 1:1-3, a vida de Jesus não começou em Belém. Toda a Escritura testemunha sobre a eternidade do Filho e Sua união com o Pai e o Espírito Santo. Os quatro evangelhos esclarecem que Aquele que é Deus e esteve com Ele desde a eternidade Se encarnou na humanidade para “salvar Seu povo dos pecados deles” e ser “Emanuel… Deus conosco” (Mt 1:21, 23; ver também Lc 2:11; Mc 2:5; Jo 3:16).
Discussão de abertura
Após 400 anos de silêncio profético desde Malaquias, a Palavra de Deus, por meio de Mateus, inicia com o anúncio do nascimento de Jesus Cristo, “o Filho de Davi, o Filho de Abraão” (Mt 1:1). Dessa forma, Mateus é aquele que constrói uma ponte entre a predição do Antigo Testamento e o cumprimento no Novo Testamento. Como o evangelho de Jesus cria em você um relacionamento duradouro entre sua esperança e o cumprimento dela? Iremos conhecê-Lo, ouvi-Lo e aceitá-Lo como o caminho para a eternidade?
Comente com a classe
Os judeus gostavam de preservar sua linhagem. Um sacerdote devia produzir uma linhagem pura que retrocedesse até Arão; sua esposa devia ter ascendência pura em pelo menos cinco gerações. Temos dois relatos de genealogia para Jesus, um em Mateus e outro em Lucas 3:23-38. Qual é a diferença entre os dois e por quê?

Compreensão
Para o professor: É “incontestável” que “todos os homens foram criados iguais”, escreveu Thomas Jefferson na Declaração de Independência Americana de 1776. A mesma mente fértil entrou em ação cerca de trinta anos mais tarde e produziu um livro chamadoA Filosofia de Jesus de Nazaré. O livro foi resultado da seleção sistemática que Jefferson fez de todas as referências dos evangelhos à Divindade, aos milagres e à manifestação de poder não disponível aos seres humanos.
Anos mais tarde, depois de mais alguns cortes, Jefferson produziu uma nova versão intitulada A Vida e a Moralidade de Jesus de Nazaré. O homem que viu as raízes da dignidade, igualdade e liberdade humana no fato de sermos “criados iguais”, não conseguiu aceitar a realidade do Criador. Ao contrário, escolheu ter um Jesus segundo sua própria imagem: um bom homem, professor exemplar, e nada mais. No entanto, Jefferson e outros como ele não tiveram um encontro pessoal com o poder e a presença de Jesus. A lição deste trimestre convida você a ter uma experiência com Jesus como Ele é: Deus conosco e Deus por nós.

Comentário Bíblico

I. Mateus: O autor e sua narrativa
(Recapitule com a classe Mateus 9:9, 10:3, e Marcos 2:14.)
O autor. Embora o primeiro evangelho não mencione seu autor, fontes antigas em geral o atribuíram a Levi Mateus, a quem Jesus convidou para sair do posto de coleta para ser Seu discípulo (Mt 9:9; 10:3; Mc 2:14; Lc 5:27). Eusébio (341 d.C.), o pai da história da igreja, cita Papias (140 d.C.), bispo de Hierápolis, como tendo dito que Mateus foi o autor do evangelho. Justino Mártir, Atenágoras, Irineu, Orígenes e outros líderes da igreja primitiva sustentaram a autoria de Mateus e não há razão para negá-la. Mateus significa “presente do Senhor”. O autor nos concedeu um magnífico presente com a narrativa do Rei.
Genealogia de Jesus. O fato de que o reino de Jesus é importante para o Evangelho de Mateus fica evidente na maneira pela qual o escritor organizou sua genealogia. Ele fez uma lista com três grupos de 14 gerações (Mt 1:17), cada um deles ligado a um importante aspecto da realeza. O primeiro se estende de Abraão a Davi e chegou ao apogeu com este último. O segundo vai de Salomão a Jeconias (também chamado de Joaquim), e com este último o reino sofreu a tragédia do exílio babilônico. O terceiro grupo dá início à linhagem histórica até o nascimento de Jesus, “o Rei dos judeus” (Mt 2:2).
Essa genealogia messiânica também menciona quatro mulheres gentias, algo que normalmente não é feito numa cronologia judaica: Tamar, uma sedutora; Raabe, uma prostituta; Rute, a moabita; a esposa de Urias (Bate-Seba), a adúltera. A inclusão dessas mulheres imperfeitas e gentias na genealogia de Jesus confirma que, com a vinda do novo Rei, a antropologia bíblica retorna ao princípio original do Criador: Em Cristo “não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher” (Gl 3:28, NVI). Todos são filhos de Deus.
Pense nisto: O Evangelho de Mateus começa com a “genealogia [messiânica] de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1:1) e termina com a Grande Comissão de que o evangelho deveria “fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28:19). Que lições podemos aprender com esse movimento temático, do particular para o universal, do filho de Davi para o Senhor de todas as nações?
II. Temas importantes do evangelho
(Recapitule com a classe Mateus 2:2, 14, 15; 5–7; 24:14; e Marcos 16:13-20.)
Pelo menos cinco temas principais marcam o Evangelho de Mateus:
1. Em primeiro lugar, o reinado de Jesus. O evangelho declara que Jesus é Filho de Davi (Mt 1:1). Os sábios discerniram, em Jesus, o Rei dos judeus (Mt 2:2); Jesus entrou em Jerusalém como Rei vencedor (Mt 21:1-11); Ele declarou aos seguidores que Ele é o Rei e o Juiz escatológico (Mt 25:31-46). Jesus reconheceu Sua realeza diante de Pilatos (Mt 27:11). Até mesmo sobre a cruz foi colocado Seu título como Rei (Mt 27:37).
2. Em segundo lugar, Jesus é o cumprimento da profecia do Antigo Testamento. Os quatro evangelhos se referem a esse fato pelo menos 27 vezes, sendo que Mateus faz essa afirmação 14 vezes (Marcos, duas; Lucas, três; e João, oito). Mateus indica especificamente que os eventos a seguir foram o cumprimento da Escritura: nascimento de Cristo (Mt 1:22, 23; Is 7:14); a fuga para o Egito (Mt 2:14, 15); Seu lar em Nazaré (Mt 2:23); os ensinos por meio de parábolas (Mt 13:35); a entrada triunfal em Jerusalém (Mt 21:1-5); a prisão (Mt 26:54-56); o preço da traição (Mt 27:9); e o ato de lançar sortes por causa das roupas dEle (Mt 27:35; Sl 22:18). Ao demonstrar que Jesus cumpriu as profecias, Mateus desejava que seus leitores judeus se convencessem de que Jesus é oChristos, o Messias.
3. Em terceiro lugar, Mateus é o evangelho do ensino, pois sistematiza e resume os importantes ensinos de Jesus no contexto do reino: a ética do reino (Mt 5-7); deveres dos líderes do reino (Mt 10); parábolas do reino (Mt 13); grandeza no reino (Mt 18); e a vinda do Rei (Mt 24; 25).
4. Em quarto lugar, a igreja. Mateus é o único evangelho que detalha o estabelecimento da igreja após a confissão de Pedro (Mt 16:13-23), embora a confissão em si seja encontrada também em Marcos e Lucas. Esse fato e a advertência de Mateus de que as contendas deveriam ser resolvidas na igreja (Mt 18:17) indicam que ele lançou as sementes da compreensão inicial da eclesiologia.
5. Em quinto lugar, escatologia. Mateus Se interessou especialmente pela segunda vinda de Cristo, pelo fim do mundo, pela preparação para o reino e pelo juízo final que separará as ovelhas dos bodes (Mt 24; 25).
Pense nisto: Por que o reinado de Jesus é tão enfatizado em Mateus? Qual é a diferença entre a descrição que ele fez de Jesus como Rei e a expectativa do povo hebreu daquela época?

Aplicação
Para o professor: De volta à pergunta: Quem é Jesus? O Evangelho de Mateus começa com uma proclamação fundamental de que a vida e o ministério de Jesus não são apenas eventos no fluxo e refluxo da História. Embora Mateus 1:1-17 demonstre que Jesus nasceu na História, o restante do capítulo afirma que Ele está acima e além da História. Na verdade, Ele é o Senhor da História sobre quem Paulo escreveria posteriormente, ao declarar que o propósito de Deus era “fazer convergir [em Cristo], na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do Céu como as da Terra” (Ef 1:10). A vinda de Jesus ao mundo dá significado à História: nEle e por meio dEle as questões do bem e do mal, pecado e redenção, vida e morte, Deus e deuses encontra uma resposta conclusiva e satisfatória. O Evangelho de Mateus não proclama Cristo como o fundador de outra religião, mas “Emanuel” (Deus conosco) e que Ele é Jesus (Deus por nós).
Perguntas para reflexão
1. Por que o nascimento virginal de Jesus demonstra que Ele entrou na História mas estava acima dela? Por que o nascimento virginal é importante para a história do evangelho?
2. Emanuel (Deus conosco) e Jesus (Deus por nós, nosso Salvador) são dois nomes anunciados pelo anjo para a Segunda Pessoa da Divindade. Comente no grupo a importância dessa declaração.

Criatividade e atividades práticas
Para o professor: Mateus apresenta Jesus como Deus, Rei e Salvador. Ajude sua classe a perceber que cada descrição de Jesus exige de nós uma resposta específica.
Atividade
Convide os membros da classe a explicar o que cada uma dessas três descrições de Jesus (como Deus, Rei e Salvador) significa para eles. Analise o máximo de respostas possível.

Planejando atividades: O que sua classe pode fazer na próxima semana como resposta ao estudo da lição?

Informativo Mundial das Missões

“É para você!” – parte 1

Jean-Pierre faz parte de uma família com raízes profundas na Igreja Presbiteriana. Em 1845, missionários chegaram ao seu vilarejo e, pouco tempo depois, a primeira igreja estava construída. Seu avô foi missionário na ilha de Futuna, localizada há 1.600 km de Vanuatu. Todas as pessoas que ele conhecia eram presbiterianas. Quando Jean-Pierre se tornou adulto, foi escolhido para ser presbítero da igreja local.
Então, certo dia, o mundo de Jean-Pierre mudou. Enquanto trabalhava na indústria hoteleira e de turismo de Vanuatu, ele conheceu Lana. Ao se tornarem amigos, Jean- Pierre soube que Lana era adventista do sétimo dia. Isso foi um choque para ele, principalmente porque Lana frequentava a igreja no sábado, e não no domingo. “Foi como bater em uma parede de tijolos”, ele explicou.
Os dois decidiram se casar e essa decisão se tornou uma luta espiritual, pois Lana ia à igreja no sábado e Jean-Pierre no domingo. “No sábado, eu saía de casa, em silêncio e sem perturbações”, diz Jean-Pierre. “No domingo, era a vez de Lana sair de casa.”
Jean-Pierre continuou liderando sua igreja, cuidando da tesouraria e pregando regulamente nos cultos dominicais. Ele também treinava outros líderes.
O casal teve três filhos, mas viviam suas convicções espirituais separadamente. Os meninos iam à igreja no sábado e Jean-Pierre continuava pregando e liderando sua igreja aos domingos. Mas havia uma tensão silenciosa no lar e todos sentiam isso.
Uma janela aberta
“Então uma nova janela se abriu”, Jean-Pierre diz. “Minha esposa começou a trabalhar como gerente no Adventist Book Center [Livraria Adventista] agora conhecido como Hope Book Center [Livraria da Esperança]. Enquanto eu preparava sermões, ela passou a colocar algumas revistas na mesa. Gostei muito das revistas e elas se tornaram muito úteis no preparo dos meus sermões. Eu não percebia que elas estavam preparando o caminho.
“Quando havia programações especiais na igreja adventista, minha esposa me convidava. Certa ocasião, participei do Encontro dos Homens Adventistas, embora continuasse como um dos presbíteros da minha igreja. Gostei muito das reuniões, mas sentia que ainda havia um muro de separação. Em nossa casa havia culto no sábado e no domingo. Eu sentia que havia algo que não estava correto, e precisava encontrar a resposta.”
Jean-Pierre lutou com a questão do sábado e do domingo por algum tempo antes de, finalmente, encontrar a resposta.
PV14
Em 2014, como parte das iniciativas de Missão Urbana da Associação Geral, reuniões evangelísticas foram realizadas em Port Vila, capital de Vanuatu. O programa, conhecido como “PV14”, tinha como objetivo alcançar muitas pessoas na cidade e redondezas. Uma equipe de transporte foi organizada e Jean-Pierre foi convidado para ser o responsável pelo transporte de pessoas do seu vilarejo. Além de levá-las para as reuniões todas as noites, ele também deveria assistir às reuniões.
Durante as duas primeiras semanas, Jean-Pierre se concentrou em sua responsabilidade como motorista, mas na terceira semana algo chamou sua atenção. De olho no telão, ele ouviu o pastor Jean-Noel pregar sobre o sábado, o assunto que tanto o incomodava. Enquanto ouvia e acompanhava os textos bíblicos, convenceu-se de que o pastor mostrava a verdade bíblica.
Então, de repente, o pastor olhou, apontou em sua direção e disse: “É para você!” Ele olhou para ver se havia alguém atrás dele, mas não havia ninguém. O pastor disse novamente, apontando: “É para você que estou olhando!”
“Foi para mim!”
Jean-Pierre o ignorou, fingindo que não era com ele. Antes de prestar atenção à pregação novamente, tentou disfarçar, mas quando levantou a cabeça, o pastor disse: “Hoje o assunto é para você!” Ele desviou o olhar da tela, mas no momento em que levantou a cabeça o pastor apontou para ele e disse: “É para você!” Dessa vez, emocionado, olhou para o pastor e disse: “Sim, foi para mim!”
Jean-Pierre tomou sua decisão. Convenceu-se da verdade do sábado e a aceitou. Era tudo o que precisava ser feito. Não mais havia luta interior e ele experimentou a paz. Sabia que tinha tomado a decisão certa de guardar o sábado e ser batizado na Igreja Adventista. Essa experiência o fez lembrar da história de Zaqueu, quando Jesus olhou para a árvore e o chamou pelo nome. (Continua)

Resumo missionário
  • Vanuatu faz parte da União Transpa cífica (UTP).
  • A UTP abrange muitas ilhas como: Samoa Americana, Fiji, Kiribati, Nauru, Niue, Samoa, Ilhas Salomão, Toquelau, Tonga, Tuvalu e Vanuatu.
  • A União de Vanuatu foi fundada em 1912.
  • Atualmente, há 21.354 adventistas, 85 igrejas e 130 grupos em Vanuatu.